quarta-feira, 4 de maio de 2011

A paisagem

Os dias florescem pela manhã
Não sabem que forma ou que cor terão
Nem imaginam que aroma criarão
Os primeiros raios de sol
Já espalham o calor do café
Umidecido pelo orvalho que
Presenteiam com sua frescura,
Sua delicadeza e doçura todas as manhãs

Os dias florescem pela manhã
Não sabem que forma ou que cor terão
Nem imaginam que aroma criarão
A noite esse dia era apenas um botão
Complacente, paciente,
Porém morto, o dia  estava não
Estava descansando, adormecido na escuridão
Para que a flor vindo desse botão
Florescesse para completar
Os vários jardins de vida
Que cada um desses dias enfeitarão

Os dias florescem pela manhã
Não sabem que forma ou que cor terão
Nem imaginam que aroma criarão
Poderão ter cor de tempestade
Ou forma de felicidade
Ou aroma de paixão
Os dias florescessem
Mostram suas flores
Mostram seus espinhos
Exalam seus sabores
Mas como todas as flores
Um dia secarão
E com certeza
Sem se importar com o que passou
Outros dias virão.
Por: Roberto Bertholdo

segunda-feira, 7 de março de 2011

Harmonia

Amenas gotículas de água
Que caem do céu mesclado
Azul celeste nublado
Mundificam a minha alma

Observo por olhos cerrados
A lua oculta entre nuvens
Impedindo seu segredo ser desvendado
Para falsos admiradores que surgem

A branda brisa ávida
Beija minha pele cálida
Invade-me de fora para dentro
Em harmonia sem comedimento

Desejo abrigar a paz em mim
Permitir bons sentimentos fluir
O esplendor sempre a me guiar
Até a infinitude eu encontrar

 
Jessica Gaudencio

quinta-feira, 3 de março de 2011

Introspecção

Indômito momento de minha introspecção
Sinto minuciosas metamorfoses em meu coração
Insensatos subterfúgios de outrora que estão a se esvaecer
Eu perscruto na nascente madureza um alvorecer

Ocasiões em que permaneci abrigada pelo enleio
Embora abençoada com um espírito de sossego
Aprendendo meticulosamente aquilo que era escuso
Descubro dentro de mim mesma um outro mundo

Libertei meu coração em diversas águas para velejar
Preparo-me para recepcioná-lo quando decidir voltar
Para revisar as diversas experiências recolhidas
Todos os conhecimentos que são úteis para a minha vida

Na necessidade de analisar meu próprio interior
O faço compondo nota a nota o ser que sou
Na introspecção, há um ciclo que irá se findar
E então, poderei enfim abrir minhas asas e voar
Em direção a imensidão do mar
Jessica Gaudencio

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Timidez

Acerca do tema, fui tímido. Muito, por sinal.
Escondia-me dentro de mim como uma avestruz em seu buraco a lhe tapar apenas a cabeça.
Não gostava de olhares diretos nem de muita gente ao redor, principalmente se me conheciam.
Câmeras fotográficas, apesar de não tê-las evitado, causavam-me desconforto.
Não me sentia bem com elogios apesar de os amar. 
...........................Lembro-me de as pessoas acharem isso lindo.
Diziam: Olha que gracinha! Ele é tímido!
E lembro-me também de muitos considerarem-me, em primeiro momento, indiferente.
.........................Acerca do tema, percebi, lendo em meu espelho e nos reflexos próprios do olhar das pessoas,
que o que eu precisava não era admitir para todos e para mim mesmo que eu era tímido.
Eu precisava era saber porque eu era tímido.
De onde vinham os motivos e quais os eram, de meus rubores? 
.............................Percebi que o meu medo de ser observado ou estudado me era motivo para esconder.
Sabe porquê? Porque eu não queria que soubessem de meus defeitos.
Não queria que as pessoas os fitassem ou os descobrissem em mim.
Aliás, mesmo não sendo defeito isso ou aquilo que eu escondesse,
não queria arriscar uma consideração alheia na qual alguém pudesse considerar-me imperfeito.
Eu precisava manter a perfeição! E para que, se não adiantava? 
..............................Aceitar-se, observar-se com ternura, não temer julgamentos, julgar menos,
enxergar mais beleza nas coisas sem criticar tanto e com tanto negativismo,
não querer ser perfeito pelo fato de saber que a perfeição está nos contrastes e,
principalmente, ser humilde, foram atitudes percebidas por mim que muito me ajudaram a aproximar-me das pessoas e de mim mesmo. 
..............................Alguém deve estar se perguntando: O que teria a ver ser humilde com a timidez?
Eu digo: Tudo, ou melhor, nada. Ser humilde não é sair de onde se está e cumprimentar a todos.
Não é ter muito dinheiro e ser solícito. Ser humilde é aceitar-se como se é,
mudar-se quando se sente com esta necessidade, e assim, poder desfrutar de si mesmo aceitando nos outros suas características sem chamá-las de defeito. 
................................É o orgulho que nos faz temer que não nos vejam como somos, ou que nos critiquem, ou que nos estudem, que nos olhem.
Os problemas existentes entre quem julga e quem é julgado são todos de quem julga.
Já que, baseiam-se em si mesmos os que apontam nos outros, seus próprios defeitos. 
..............................Quando tiramos uma foto, nossa timidez diz:
Cuidado, você será observado e criticado por outros.
Aí, essa voz passa a gritar antes do “clik” e você foge dos flashs, privando, muitas vezes,
alguém que lhe goste muito de ter uma saudável lembrança sua,
ou a você mesmo de se curtir em imagem.
Repare que se a foto fosse tirada para que apenas você, e somente você, visse,
não haveria problemas. E se houvesse, seria coisa de amor próprio, certo?
.............................Aceitar-se e amar-se são atitudes humildes e, portanto,
não lhe induzem a privar-se de fotos, olhares, atenções e convivências.
Além disso, abrem-lhe a consciência de que receber elogios faz bem e você só precisa dizer: “Obrigado!”

Autor: Victor Chaves