quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Timidez

Acerca do tema, fui tímido. Muito, por sinal.
Escondia-me dentro de mim como uma avestruz em seu buraco a lhe tapar apenas a cabeça.
Não gostava de olhares diretos nem de muita gente ao redor, principalmente se me conheciam.
Câmeras fotográficas, apesar de não tê-las evitado, causavam-me desconforto.
Não me sentia bem com elogios apesar de os amar. 
...........................Lembro-me de as pessoas acharem isso lindo.
Diziam: Olha que gracinha! Ele é tímido!
E lembro-me também de muitos considerarem-me, em primeiro momento, indiferente.
.........................Acerca do tema, percebi, lendo em meu espelho e nos reflexos próprios do olhar das pessoas,
que o que eu precisava não era admitir para todos e para mim mesmo que eu era tímido.
Eu precisava era saber porque eu era tímido.
De onde vinham os motivos e quais os eram, de meus rubores? 
.............................Percebi que o meu medo de ser observado ou estudado me era motivo para esconder.
Sabe porquê? Porque eu não queria que soubessem de meus defeitos.
Não queria que as pessoas os fitassem ou os descobrissem em mim.
Aliás, mesmo não sendo defeito isso ou aquilo que eu escondesse,
não queria arriscar uma consideração alheia na qual alguém pudesse considerar-me imperfeito.
Eu precisava manter a perfeição! E para que, se não adiantava? 
..............................Aceitar-se, observar-se com ternura, não temer julgamentos, julgar menos,
enxergar mais beleza nas coisas sem criticar tanto e com tanto negativismo,
não querer ser perfeito pelo fato de saber que a perfeição está nos contrastes e,
principalmente, ser humilde, foram atitudes percebidas por mim que muito me ajudaram a aproximar-me das pessoas e de mim mesmo. 
..............................Alguém deve estar se perguntando: O que teria a ver ser humilde com a timidez?
Eu digo: Tudo, ou melhor, nada. Ser humilde não é sair de onde se está e cumprimentar a todos.
Não é ter muito dinheiro e ser solícito. Ser humilde é aceitar-se como se é,
mudar-se quando se sente com esta necessidade, e assim, poder desfrutar de si mesmo aceitando nos outros suas características sem chamá-las de defeito. 
................................É o orgulho que nos faz temer que não nos vejam como somos, ou que nos critiquem, ou que nos estudem, que nos olhem.
Os problemas existentes entre quem julga e quem é julgado são todos de quem julga.
Já que, baseiam-se em si mesmos os que apontam nos outros, seus próprios defeitos. 
..............................Quando tiramos uma foto, nossa timidez diz:
Cuidado, você será observado e criticado por outros.
Aí, essa voz passa a gritar antes do “clik” e você foge dos flashs, privando, muitas vezes,
alguém que lhe goste muito de ter uma saudável lembrança sua,
ou a você mesmo de se curtir em imagem.
Repare que se a foto fosse tirada para que apenas você, e somente você, visse,
não haveria problemas. E se houvesse, seria coisa de amor próprio, certo?
.............................Aceitar-se e amar-se são atitudes humildes e, portanto,
não lhe induzem a privar-se de fotos, olhares, atenções e convivências.
Além disso, abrem-lhe a consciência de que receber elogios faz bem e você só precisa dizer: “Obrigado!”

Autor: Victor Chaves

sábado, 22 de janeiro de 2011

Balbúrdia das vaidades

Soberba, perfídia, segredos
Enterravam sobejas ilusões de medo
O abismo da escuridão será o seu quinhão
Por fazer alienação do próprio coração

Percebeste que não poderá mais se enganar
Mas que também jamais atingirá o auge
Embora ainda que tente se esquivar
Ávidos olhos completamente o envolvem

A contrição é serôdia, o mar já o sufocou
Tu és membro desde obscuro mundo
Recorda-se de como chegou?
Não importa, a saída é um túnel escuro
Que seus olhos jamais irão alcançar

O que o atraiu foi sua displicência
E foste despido de sua consciência
Para chegar ao baile fantasiado
E no final, ver-se como um vulto apagado

Sentes prazer em se entregar a balbúrdia
Em uma pintura, máscara de um rosto pessoal
Face que remotamente reconhecia
Vê-se em um espelho em estranha nitidez real

É o submundo de tua caixa de imaginação
Onde jaz o teu coração
E quando se arrependeu era tarde
Vendeu-se por pura vaidade
Jessica Gaudencio 

domingo, 9 de janeiro de 2011

Acorde para não me perder

Não adianta tentar ignorar
Logo nós vamos nos deparar
Nas diversas voltas que a vida dá
Não há maneira de escapar

Cesse de questionar
A razão de o mundo orbitar
Há motivo para noite se desfazer
E para principiar o alvorecer
Quando este ascender
Você irá se convencer, e dizer
Que eu precavi você

Eu sei que você sabe
Em sonho seu coração se abre
Então dormindo você me vê
Caminhando até você
Não há meios de esconder

Tenho somente uma coisa a lhe dizer
Acorde para não me perder
Jessica Gaudencio
Data de criação: 12/11/2010

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Motivo singular

Saudade persiste em murmurar
Somente por teu nome pronunciar
Meu coração em voz gritante
Requesta por teu abraço irradiante
Possuidor de ternas sensações incessantes

Existem bilhões de motivos
Para impedir-me de te amar
E tornar meus sentimentos combalidos
Porém, tenho eu gosto por ser irregular
Pois sei que há ao menos um motivo singular
Que me conduz a continuar,
Aconselhando a este sentimento gravitar

Entendo que de ti irei me afeiçoar
Enquanto existir no planeta oxigênio para respirar

Jessica Gaudencio
Data: 16/12/2010