sábado, 20 de agosto de 2011

Caligrafias invisíveis

Daqui por diante não quero mais saber
Recuso-me até mesmo receber
Usual folha entregue pelo vento
Parcialmente ignorada pelo tempo

Tal carta anônima a descrever
Coisas que qualquer um pode ver
O que há de mais vulgar
Palavras que todos podem recitar

Declarações renunciadas
Palavras desesperadas
Caligrafias invisíveis
Sentimentos incabíveis

Em insopitável papel em branco
Inundado de incessantes prantos
Elucidando obviedades
Entregues ao ar em debalde

Espero eu, por uma correspondência
Isenta de displicência
Algo que possa mostrar
Onde estão as repostas
Que não posso encontrar

Quero algo peculiar
Que venha explicar
Meu misterioso sentimento
Desvendar meu pensamento

Quero curiosa revolução
Acessar profundo meu coração
O que se pode ver no toque do clarão
Atingindo despreocupadamente a escuridão?
Jessica Gaudencio